Na era da fotografia analógica, os books em preto e branco eram o padrão absoluto das agências por destacar a estrutura óssea, a textura da pele e a expressividade do modelo sem a distração das cores. A escolha do P&B também era prática e econômica: a revelação de filmes e a ampliação em laboratório eram mais ágeis e acessíveis para manter os portfólios físicos atualizados. As fotos eram selecionadas rigorosamente a partir das folhas de contato (contact sheets), buscando a iluminação perfeita que valorizasse a fotogenia natural do modelo. Sem a facilidade das edições digitais, cada imagem do book era um registro autêntico de presença, versatilidade e química diante da lente.





Aqui o book da Melissa Nunes dessa época.
Usava principalmente filme Tri-x ISO 400.
Eu usava mais o filme da Kodak Tri-x, mas quando era fotos no estúdio com flash eu usava o Plus-X que tinha ISO 125 e dava um contraste que eu gostava bastante. Geralmente o papel era o N-3 da Kodak também, com uma superfície fosca acetinada bem bacana que ainda aceitava retoque com lápis preto.

Eu costumava usar 3 filmes de 36 poses cada para fazer um book com 20 fotos. Então cada click tinha que ser o máximo perto da perfeição. Luz, pose, enquadramento, tudo milimétricamente calculado e observado até o momento de apertar o botão e – lá se vai mais um pedaço de filme!..não podia perder!

Os filmes eram revelados e as cópias em preto e branco e viragem sépia eram feitos por mim mesmo. Uma das partes que eu conseguia imprimir o contraste, granulação e tons de pele que eu desejava. A revelação dos filmes era a parte de maior espectativa, pois era nesse momento que víamos o resultado preliminar do material. O processo de revelação do filme demorava em torno de 45 minutos. Você aguentaria hoje esperar esse tempo para ver se o click ficou bom?

Aqui já estava no processo de lavagem da cópia em preto e branco. A primeira bacia aqui da ponta era com revelador, a do centro com interruptor e a terceira com fixador. Depois lavagem por cerca de 30 minutos com água reciclando ( gastei um bocado de água, confesso). Essa parte do processo fotográfico é bem “gastão” de água e poluente também, pois muitos produtos químicos eram jogados esgoto abaixo.
